Quem nunca provou o vinho docinho da garrafa azul, atire a primeira rolha. Nas décadas de 80 e 90, em razão da dificuldade de importação, o mercado brasileiro foi inundado por vinhos alemães de baixa qualidade, conhecidos genericamente por Liebfraumilch, que quer dizer “vinho de Nossa Senhora”.
Mas a Alemanha tem muito a mostrar atualmente. Encontramos no mercado excelentes opções, principalmente de vinhos brancos. Infelizmente nossa região ainda tem poucas opções, mas pela internet podemos encontrar coisa boa. O difícil é entender a classificação desses vinhos.
A lei que regulamenta esse setor é de 1971. Os vinhos são classificados principalmente quanto ao amadurecimento das uvas, ou seja, de acordo com a quantidade de açúcar nos frutos. Essa opção levou em conta que a Alemanha é um país com clima difícil, que afeta com intensidade a colheita. Então, um mesmo vinhedo pode dar vinhos de qualidades bem diferentes de uma semana para outra, dependendo das condições climáticas.
Basicamente os vinhos de qualidade possuem duas classificações:
- QbA (Qualitätswein bestimmter Anbaugebiete) ou Vinho de Qualidade das Melhores Regiões, são provenientes de uma das 13 regiões demarcadas do país. Um vinho de nível básico, com uvas num nível baixo de amadurecimento. São normalmente mais baratos.
- QmP (Qualitätswein mit Prädikat) ou Vinho de Qualidade com Predicados Específicos, o melhor nível dos vinhos alemães. Para essa categoria não se admite a “chaptalização”, ou seja, o acréscimo de açúcar durante a fermentação para aumentar o nível de álcool.
Os vinhos QmP ainda são divididos em outras seis categorias, que também levam em consideração o nível de açúcar. A mais comum de encontrarmos no Brasil é a categoria Kabinett (reserva), um vinho seco, de preço mais acessível e que cai bem com as comidas alemãs com seus embutidos e batatas. Também é famoso o Eiswein (vinho do gelo), elaborado com uvas congeladas e maduras, com alto nível de doçura e acidez.
Os vinhos secos (trocken) ou meio-secos (halbtrocken) são elaborados com uma grande variedade de uvas, mas as mais importantes entre as brancas são: Gewürztraminer, Riesling (que dá os melhores vinhos do país), Silvaner e Rieslaner (cruzamento da Riesling com Silvaner). Também são produzidos vinhos tintos, destacando-se a uva Spätburgunder, a mesma Pinot Noir.
Tim-tim!
Fonte: Correio de Uberlândia, Érika Mesquita
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